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A bactéria que recicla o PET

 

Por Danielle Altomari*

 

 

 

 

Uma grande variedade de produtos plásticos está presente no nosso dia a dia. Por exemplo, o PET (abreviação de politereftalato de etileno), foi desenvolvido com a finalidade de ser durável, possuir alta resistência mecânica, transparência e estabilidade à mudanças de temperatura.

A maior aplicação do PET é o fornecimento de matéria prima para a indústria têxtil. Adicionalmente, uma grande quantidade desse material também é utilizada na fabricação de embalagens de bebidas e alimentos.

A degradação do PET ocorre de forma muito lenta e está relacionada com as suas propriedades químicas e físicas que conferem resistência às influências do meio ambiente. Assim, materiais fabricados em PET se acumulam ao longo do tempo, causando um grave problema ambiental.

Possivelmente, a solução desse problema pode sair do mundo microbiano. Um estudo recente, publicado na revista Science, identificou o potencial de uma bactéria em promover a decomposição desse material. A bactéria foi isolada de uma mistura de micro-organismos que cresceram em fragmentos de PET misturados com o lixo, em uma recicladora.

A bactéria denominada Ideonella sakaiensis, é uma espécie nova que consegue se alimentar do PET, quebrando-o em pequenos pedaços, denominados de monômeros, que são as moléculas de ácido tereftálico (TPA) e etilenoglicol (EG). Essas pequenas moléculas por sua vez, podem ser utilizadas por micro-organismos, que as transformam em outros compostos, completando a reciclagem do material. Nesse estudo, a bactéria foi capaz de degradar completamente um fragmento de PET em apenas seis semanas.

A grande importância desse estudo está nas oportunidades ambientais e econômicas que a biodegradação do PET pela ação de micro-organismos proporciona. Os benefícios, de uma maneira geral, estão relacionados com a diminuição dos resíduos de PET descartados no meio ambiente e a diminuição da utilização de petróleo para a produção de novos plásticos. Isso porque as pequenas moléculas resultantes da degradação do PET, podem ainda ser utilizadas como matéria prima para a produção de novos materiais, promovendo uma produção de material de uma forma sustentável.

Os micro-organismos possuem mecanismos versáteis de interação com o meio ambiente. Cada vez mais, destacam-se os benefícios ambientais da utilização dos micro-organismos como ferramentas biotecnológicas, relacionado-os à minimização dos impactos ambientais e ao desenvolvimento sustentável.

 

*Danielle Altomari Teixeira é bióloga, especialista em gestão Ambiental, Mestre em Engenharia Ambiental.

 

Texto revisado e editado por Caio Rachid

 

Referência: Yoshida S, Hiraga K, Takehana T, Taniguchi I, Yamaji H, Maeda Y, Toyohara K, Miyamoto K, Kimura Y, Oda K. A bacterium that degrades and assimilates poly(ethylene terephthalate. Science. 11;351(6278):1196-9. 2016.

 

TAGS: PET, Bactéria, Reciclagem.

 

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Feito por Thais S. Barbosa (ECO - UFRJ) para o CurtaMicro 2017