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Iluminação Microbiana? Sim é possível!

 

Por Rodrigo Reis Moura*

 

 

Já imaginou em um ambiente onde a luz interna fosse emitida sem eletricidade e sem fios? Foi exatamente o que a equipe da Glowee, uma startup* francesa do ramo da biotecnologia, pensou para desenvolver seu produto. Tendo o mar e os micro-organismos como inspiração, criou um sistema de bioluminescência, que utiliza bactérias produtoras de luz para ser utilizado nas mais diversas finalidades.

A bioluminescência é a emissão de luz por algumas bactérias e outros organismos vivos. Um exemplo bem conhecido é o vaga-lume, mas a quantidade de organismos capazes de executar esse processo é muito maior, e chega a até 80% dos organismos marinhos. O processo consiste na emissão de luz através de reações químicas, que utilizam a energia de moléculas orgânicas e a converte em luz visível. O processo é bastante estudado em todo o mundo, e seu controle genético é bem conhecido.

 Os pesquisadores da startup extraíram o DNA de bactérias luminescentes, que viviam em simbiose com lulas, e transferiram a região do DNA responsável por produzir luz para bactérias comuns, que não representam riscos. As bactérias que receberam o implante de DNA passaram então a produzir a bioluminescência.

 As utilizações são as mais diversas possíveis, como decoração de espaços públicos, revitalização de prédios, sinalização, enfeites de vitrines de lojas entre outros. A empresa ainda defende que o sistema pode ser grande alternativa para áreas remotas, que não possuem instalações com energia elétrica. A instalação é simples e basta fixar as peças plásticas no local. De acordo com a Glowee, considerando toda a etapa produtiva, o produto bioluminescente emite 10 vezes menos gás carbônico do que a utilização de lâmpadas LED, e adicionam grande valor comercial aos locais onde é utilizado. Eles defendem que seria possível utilizar o sistema como alternativa para 19% de toda a demanda de iluminação mundial.

 O sistema ainda precisa ser aperfeiçoado. Os primeiros protótipos duravam apenas alguns segundos e precisavam de agitação constante. Após avanços nas pesquisas, o produto mantém iluminação estável durante três dias seguidos. Isso permitiu a utilização dos produtos em um evento de lançamento.

  O objetivo é que se consiga um produto que dure até trinta dias e apresente maior intensidade de luz, além de maior variedade de cores. A ideia é que a popularização do sistema seja uma das marcas da revolução biotecnológica e desperte para o mundo a importância da sustentabilidade. Será que eles irão conseguir? O CurtaMicro torce para que sim

 

 

*Rodrigo Reis Moura é Graduando em Ciências Biológias modalidade Microbiologia da  Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

*Startup - Empresa iniciante, formada por um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza.

 

Texto revisado e editado por Caio Rachid

 

Referência: Glowee

 

TAGS: Bioluminescência, biologia sintética, glowee

 

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Feito por Thais S. Barbosa (ECO - UFRJ) para o CurtaMicro 2017